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5 Condições para o Indivíduo Motivado

Alberto Centurião

A motivação é um estado interior alcançado naturalmente pelo próprio indivíduo, porém difícil de ser acionado por terceiros. Uma das maiores preocupações de todo líder é manter o moral da tropa. Organizações investem pesado em propaganda interna, com o objetivo de vencer o desânimo de seus colaboradores. Promovem eventos, palestras e campanhas motivacionais, dão aumento de salários e comissões... e o resultado é, com freqüência, desanimador.

Certa vez, ouvi de um empresário a seguinte frase: - Aumenta o salário do fulano, que eu quero ver se ele não fica motivado!

Será isso verdade? Profissionais bem remunerados estão sempre motivados? Pense em você mesmo: se ganhasse o dobro do que ganha, trabalharia o dobro? E se ganhasse o triplo, estaria disposto a se esforçar o triplo? Por quanto tempo? E mesmo se dispondo a esse esforço, poderia se considerar motivado? Por acaso você não conhece alguma pessoa que, entre duas possibilidades, optou por uma atividade menos bem remunerada, porém mais gratificante?

Incentivo ou motivação?

Grande parte dos equívocos cometidos em torno da motivação devem-se à confusão que se estabelece entre estas duas palavras. Quem usa indistintamente uma pela outra, acaba chamando urubu de meu louro. Incentivo é a ação intencional de um agente externo sobre o indivíduo, para estimular o seu empenho com vistas a um determinado objetivo. Motivação é um estado interior, que leva uma pessoa a se empenhar mais por um objetivo e ainda ficar feliz com isso.

Incentivar é dirigir palavras de estímulo e encorajamento, fazer pregações sobre a importância da meta proposta, oferecer recompensas etc. etc. No item das recompensas entram as campanhas de incentivo, muitas vezes incorretamente denominadas campanhas motivacionais. O incentivo é importante e geralmente dá resultado a curto prazo. Mas para manter um grupo – ou indivíduo – motivado, é preciso mais do que isso.

Será que alcançar a motivação de um grupo é tão difícil assim? Às vezes é impossível, outras vezes é fácil, extremamente fácil... A motivação é um estado de ânimo que depende de algumas variáveis mais ou menos complexas. Mais precisamente, cinco variáveis.

Existem cinco condições necessárias para que uma pessoa esteja motivada:

q Compromisso com o objetivo proposto

q Recompensas adequadas ao nível das necessidades pessoais

q Liderança adequada ao grau de maturidade emocional e profissional

q Trabalho adequado ao perfil individual

q Perspectiva de crescimento vertical e/ou horizontal

Vamos analisar rapidamente estas cinco condições:

1. Compromisso com o objetivo proposto

Motivação pressupõe um objetivo. Quem está motivado, está motivado para alguma coisa. Se uma pessoa é convidada a participar do esforço em prol da realização de algo que desconhece, ou que conhece vagamente, não poderá estar motivada.

Para estar motivados, precisamos conhecer o objetivo proposto e acreditar na sua validade – ou seja – estar comprometidos com ele. Para alcançar metas, precisamos conhecê-las e aceitá-las. Para caminhar a passos decididos, precisamos saber aonde se pretende chegar.

2. Recompensas adequadas ao nível das necessidades pessoais

Fazemos coisas porque temos necessidades. A esse respeito, sugerimos uma reflexão em torno da pirâmide das necessidades de Maslow.

Este estudioso da motivação identificou cinco necessidades básicas no ser humano: fisiológicas, de segurança, sociais, de reconhecimento e de realização. A cada momento da vida, uma destas necessidades está mais aguçada e é exatamente para satisfazer a esta necessidade que o indivíduo se disporá a agir com maior empenho.

Esta pirâmide é referencial para os critérios de premiação das campanhas de incentivo. Se o prêmio não povoa o universo de desejos do grupo (sua necessidade mais aguçada), este não se disporá a fazer grande esforço para conquistá-lo.

Mas o incentivo funciona? É evidente que sim, mas por tempo limitado. Assim que cessa a promoção, o efeito estimulador também cessa. E quando a promessa de recompensa se torna rotineira, também deixa de ser estimulante. Além disso, quando o indivíduo perde as esperanças de vencer, desanima.

Uma coisa é certa: se a atividade não proporcionar satisfação às necessidades do indivíduo, ele ficará desmotivado. Trabalhamos porque temos necessidades. Portanto, ou o trabalho nos proporciona as condições necessárias para suprir a estas necessidades, ou estaremos desmotivados.

Maslow diz que os três primeiros níveis – fisiológicas, de segurança e sociais – são fatores higiênicos: quando não estão atendidos razoavelmente, não há motivação. Fatores motivacionais são os dois níveis mais elevados de necessidades – reconhecimento e realização – que surgem quando os três primeiros estão minimamente atendidos. Portanto, para pretender a motivação do seu pessoal, uma empresa precisa primeiro oferecer condições mínimamente adequadas de remuneração, estabilidade e convivência. A partir daí, dá para conversar sobre motivação.

3. Liderança adequada ao grau de maturidade emocional e profissional

Pessoas diferentes não podem ser tratadas de maneira igual. Em vez de aplicar o mesmo tratamento a todos, um líder eficaz flexibiliza seu estilo para adequar sua forma de liderança ao grau de maturidade emocional e profissional de cada pessoa do grupo. Paul Hersey e Kenneth Blanchard esmiuçaram o assunto através da teoria da Liderança Situacional, em seu livro Psicologia para Administradores.

Simplificando: uma pessoa com baixa maturidade emocional e profissional (técnica) não pode receber carta branca para fazer seu trabalho, precisa de treinamento e orientação – enquanto uma pessoa com grande maturidade e experiência não vai gostar de ter um chefe o tempo todo pegando no seu pé e tentando ensinar o que ele já está careca de saber.

Se a forma de liderança não estiver adequada ao nível de maturidade do grupo ou indivíduo liderado, este não pode estar motivado. Se as chefias estão errando na forma de tratar as pessoas, adeus motivação.

4. Trabalho adequado ao perfil individual

Não é possível estar motivado, quando a gente simplesmente odeia o trabalho que é obrigado a fazer. Em contrapartida, quando a gente gosta de um determinado trabalho, é meio caminho andado para a motivação.

Cecília Whitacker Bergamini fez um belo estudo sobre os perfis motivacionais, em seu livro Motivação. Trocando em miúdos: no que se refere à aptidão e ao gosto pelo trabalho, existem quatro tipos básicos de personalidade – ação, manutenção, relacionamento e articulação. Cada um deles tem maior aptidão para – e sente maior prazer com - certo tipo de atividade.

Se um indivíduo tipo ação, que gosta de improvisar e odeia rotina, for colocado em uma atividade rotineira e que exige atenção aos detalhes, vai odiar. Já um indivíduo tipo manutenção vai achar isso um paraíso. Um sujeito tipo relacionamento sente prazer em lidar com pessoas e contribuir para o crescimento delas, enquanto um indivíduo tipo articulação se interessa por questões estratégicas, sempre buscando formas de articular forças aparentemente desconexas.

É fácil perceber que, quando uma pessoa está numa atividade para a qual não tem gosto nem aptidão natural, não pode estar motivada. Em contrapartida, colocar cada pessoa no seu lugar, respeitando suas tendências naturais, é uma forma de contribuir para que elas estejam motivadas e produzam o máximo, com mais qualidade.

5. Perspectiva de crescimento vertical e/ou horizontal

É da natureza humana o anseio de crescer. Um nível evolutivo que ontem nos parecia excelente, não nos satisfaz hoje e o que ambicionamos hoje, uma vez alcançado, dará lugar a novas ambições.

Quando uma organização não oferece perspectivas de crescimento para os seus colaboradores, estes tendem ao desânimo, pois sentem-se como uma planta emparedada em um cubículo que tolhe o seu desenvolvimento natural.

A perspectiva de crescimento é com freqüência considerada apenas pela ótica vertical / hierárquica, ou seja, crescer é sinônimo de promoção, crescer é subir na hierarquia.

Existe outra perspectiva de crescimento, provavelmente mais importante: o crescimento horizontal. O ser humano sente-se intensamente gratificado quando percebe que está se desenvolvendo como pessoa e como profissional. Aprender coisas novas, sentir que está se tornando um profissional mais capacitado, alguém mais maduro e preparado para a vida, é fonte de imensa satisfação. Assumir novas e maiores responsabilidades, enfrentar novos desafios, muitas vezes é mais importante do que um cargo de chefia ou um aumento de salário.

Quando uma pessoa sente que, daqui a cinco ou dez anos, estará exatamente no mesmo lugar, sabendo o mesmo que sabe hoje e ganhando o mesmo salário, com certeza vai desanimar.

Então não existe receita segura para a motivação?

Receio que não. Gostaria muito de poder oferecer uma receitinha simples e rápida, com baixa dose de caloria, tipo liquidificador e cinco minutos de micro-ondas, mas não consegui uma formulação mais simples do que esta.

E tem mais: como se diz em linguagem matemática, estas cinco condições são necessárias e não suficientes. Quer dizer: se faltar uma delas certamente não haverá motivação, mas a presença de todas elas ainda não é garantia de que o grupo ou indivíduo estará motivado. Outros fatores, alheios ao ambiente de trabalho, podem interferir no processo e aí...

Se você quer a sua equipe motivada, só há um caminho: garanta as cinco condições e esteja atento aos fatores aleatórios. Assegurar estes cinco fatores está ao seu alcance. E se todos eles estiverem presentes, há uma boa chance de a equipe estar motivada. Faça a sua parte e deixe a natureza fazer o resto.

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centurione@centurione.com.br

Last modified: janeiro 07, 2008